CT de Planejamento estuda áreas de restrição na região do canal Jurubatuba
Quinta-Feira, 15 de abril
Por Danielle Yura
Uma pesquisa sobre a captação e uso das águas subterrâneas na região do canal Jurubatuba, localizado em área industrial da zona sul de São Paulo, revelou que a região é uma das que apresentam as maiores extrações de água subterrânea na Bacia do Alto Tietê (BAT). Estima-se a existência de mais de 1700 poços, dois quais apenas 513 são cadastrados e outorgados pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE. A super exploração de água na região é passível de sofrer contaminação, comprometendo a saúde dos usuários.
O estudo foi realizado pela empresa Servmar Serviços Técnicos Ambientais Ltda, contratada pelo DAEE, por meio de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos -Fehidro, durante o período de abril de 2007 a dezembro de 2008. E abrangeu uma área de 120 km² no entorno do canal Jurubatuba, incluindo 17 distritos no município de São Paulo e parte do município de Taboão da Serra.
Os dezessete distritos do município de São Paulo são: Cidade Dutra, Pedreira, Jardim Ângela, Cidade Ademar, Socorro, Campo Grande, Santo Amaro, Jardim São Luís, Capão Redondo, Campo Limpo, Jabaquara, Vila Andrade, Campo belo, Moema, Itaim Bibi, Morumbi e Vila Sônia.
Dos 513 poços outorgados que exploram água subterrânea, a maioria classifica-se como uso doméstico (207 ou 40,4%). No entanto, a atividade industrial (uso em processo e uso sanitário) é a que mais extrai água da região, com aproximadamente 13,3 mil m³/dia (39,5%). De acordo com a pesquisa, as indústrias utilizam as águas de aquíferos porque a concessionária não tem como fornecer mais água, ou porque o sucesso comercial das atividades necessita de água de baixo custo.
Do total de poços cadastrados na área de estudo, 257 (50%) estão ativos, 68 (13%) estão desativados, 17 (4%) lacrados e 10 (2%) tamponados. Para os demais (157 ou 31%), não há informação sobre o estado do poço.
Conclusões
Dentre as conclusões, o estudo destaca que a região do canal Jurubatuba está seriamente degradada, com 84 áreas declaradas contaminadas pela CETESB, 14 delas por etenos clorados (EEC) ou etanos clorados (EAC), substâncias que caracterizam um cenário preocupante dada a toxicidade desses contaminantes.
No estudo foram traçadas três áreas de restrição, classificadas como de Alta, Média e Baixa restrição ao uso da água subterrânea. A área de Alta restrição apresenta limitações de exploração da água semelhantes aos determinados pelo DAEE através da Portaria 1594. Propõe-se para a Alta restrição o tamponamento de poços contaminados e abandonados, exploração condicionada ao uso e análise trimestrais.
As áreas de Baixa e Média restrição somam juntas 49 km², o que corresponde a cerca de 80% da área total de restrição proposta de 59,75 km². Nessas áreas também é proposto o tamponamento de poços contaminados e abandonados e análises trimestrais e semestrais, respectivamente. Apenas será permitida a perfuração de novos poços na área de Baixa restrição.
A pesquisa, denominada Projeto Jurubatuba: Restrição e Controle de Uso de água Subterrânea está disponível no endereço da internet:
http://www.igeologico.sp.gov.br/downloads/livros/Jurubatuba.pdf
CTPG do Alto Tietê
No dia 15 deste mês, o projeto foi apresentado aos membros da Câmara Técnica de Planejamento e Gestão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e os membros questionaram a necessidade de ações que não apenas lacrem os poços, impedindo a utilização da água, mas que, principalmente, tratem o problema da contaminação para que o recurso hídrico volte a ser utilizável.
A CTPG vai deliberar sobre o assunto em reunião agendada para o dia 04 de maio, às 9h, na Fundação Agência de Bacia (Rua Boa Vista, 84 – 6º andar / centro de São Paulo).